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VÍDEO: padre paraibano denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil se recusa a falar em evento com Gilberto Gil



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Padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil se recusa a falar em evento com participação de Gilberto Gil

O padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil, se recusou a falar durante evento inter-religioso realizado nessa sexta-feira (6), na sede do Ministério Público Federal (MPF). O ato contou com participação remota de Gilberto Gil e integra acordo firmado para evitar processo criminal.

Durante a cerimônia, transmitida pelo MPF, o padre recebeu um microfone, mas devolveu o equipamento e sinalizou negativamente, recusando-se a discursar. Após o evento, ele também não concedeu entrevistas à imprensa.

Imagem: Reprodução / YouTube MPF

A presença do religioso no encontro faz parte do acordo firmado com o MPF, que prevê medidas reparatórias após declarações consideradas ofensivas a religiões de matriz afro-indígena e à cantora Preta Gil.

Além de Gilberto Gil, também participaram remotamente Flora Gil, madrasta da cantora, e outros representantes religiosos de diferentes crenças. Flora afirmou que o momento simboliza reconciliação e reconhecimento do erro.

Gilberto Gil classificou as falas do padre como uma agressão, mas destacou que o ato representa uma forma de reparação diante da ofensa sofrida pela família.

Representantes de diversas religiões também estiveram presentes, incluindo lideranças católicas, protestantes e de religiões de matriz africana.

Durante o evento, foi divulgada carta do bispo da Diocese de Campina Grande, Dom Dulcenio Fontes de Matos, reafirmando o compromisso da instituição com o respeito religioso e o diálogo inter-religioso.

Assista o momnto:

O que prevê o acordo com o MPF

Foto: Reprodução/Diocese de Campina Grande/Studio Foto Braga

Para evitar o processo criminal, o padre terá de cumprir uma série de medidas educativas e reparatórias, entre elas:

  • Produzir resenhas manuscritas das obras A Justiça e a Mulher Negra, de Lívia Santana, e Cultos Afro-Paraibanos, de Valdir Lima;

  • Elaborar resenha manuscrita do documentário Obatalá, o Pai da Criação;

  • Cumprir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, podendo somar diferentes formações, inclusive na modalidade EAD;

  • Entregar até o fim de junho as três resenhas e comprovar ao menos 20 horas de cursos concluídos;

  • Pagar R$ 4.863 a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes;

  • Participar de ato inter-religioso com representantes de diferentes crenças e familiares da cantora Preta Gil, em João Pessoa.

O encontro inter-religioso está previsto para ocorrer na sede do MPF, com a presença de líderes religiosos e convidados ligados à família da artista.

Investigação teve desfechos diferentes

Apesar da repercussão, em novembro a Polícia Civil da Paraíba concluiu o inquérito sem indiciar o padre, entendendo que a conduta não se enquadrava em tipo penal. O caso, porém, também passou a ser acompanhado pelo MPF, que optou pelo acordo.

A família de Preta Gil chegou a cobrar retratação pública. O cantor Gilberto Gil notificou extrajudicialmente a Diocese e o padre, e a apresentadora Bela Gil também criticou publicamente as falas.

Entenda o caso

O episódio ocorreu em 27 de julho, durante homilia transmitida ao vivo pela internet. Na ocasião, o padre relacionou a morte da cantora Preta Gil, vítima de câncer colorretal, à fé dela em religiões de matriz afro-indígenas. Assista ao vídeo abaixo.

 Trechos da fala também classificaram essas religiões como práticas “ocultas” e foram considerados ofensivos por entidades religiosas da região.

Após a repercussão negativa, o vídeo foi retirado das plataformas digitais e lideranças de religiões de matriz africana registraram denúncia por intolerância religiosa.

Veja:

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