Altos cachês colocam produtores do Nordeste em colapso e ameaçam o futuro dos eventos privados

PARAIBA.COM.BR
O setor de entretenimento do Nordeste enfrenta um cenário de alerta. Produtores de eventos afirmam que o modelo atual de contratação artística se tornou insustentável e já provoca impactos diretos no calendário cultural da região, com cancelamentos e redução de eventos tradicionais.
De acordo com relatos de empresários do setor em conversa com Breno Holder e a GS News, muitos artistas teriam se distanciado dos produtores que ajudaram a consolidar suas carreiras. O principal fator apontado é o aumento expressivo dos cachês, que passou a inviabilizar a realização de eventos privados.
“A maioria dos artistas está cobrando em eventos privados os mesmos valores pagos por prefeituras em festas públicas. A conta simplesmente não fecha mais”, afirmou um produtor renomado do setor.
Outro empresário destacou o alto risco financeiro enfrentado pelos organizadores, mesmo em eventos de grande faturamento. “Trouxemos a turnê de uma dupla sertaneja, o evento faturou mais de R$ 2 milhões e, ainda assim, não sobrou nem R$ 50 mil para a produção. O risco é enorme para um retorno mínimo”, relatou.
O reflexo desse cenário já é perceptível. Produtores relatam o desaparecimento de festivais consolidados, com décadas de história. Na Paraíba, um festival de verão com mais de 20 anos de tradição precisou cancelar um dia inteiro de programação por inviabilidade financeira.
Do lado dos artistas, a justificativa é o aumento dos custos operacionais. Segundo representantes do meio artístico, os cachês elevados refletem despesas crescentes com impostos, logística e manutenção de grandes equipes em turnê. “Pagamos milhões de reais por mês em impostos. O governo acaba sendo nosso maior sócio. Além disso, há toda a operação logística, com equipes de mais de 40 pessoas na estrada. Está tudo muito caro”, afirmou um artista nacional, que preferiu não se identificar.






